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a thousand books

Seg | 18.04.22

Review | O Monte dos Vendavais

| Com 4 ⭐︎ |

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Mais de trinta dias em cima da mesa de cabeceira. A verdade é que já não me lembro do último livro que me ocupou tantas tardes de domingo. Nem tantas noites depois de adormecer a ver um episódio de uma qualquer série. Não comecem já a torcer o nariz ao clássico que foi considerado uma obra-prima da literatura inglesa. Foi apenas uma experiência literária muito densa e desesperante, mas digna de todo o tempo que demorou até estar concluída.

 

Um clássico intemporal. Um romance dramático e doloroso, com uma escrita desesperada. Histórias de amor edificadas sob os pilares da fúria, amargura e desespero. Com todas as personagens, à exceção de Nelly, a revelarem um carácter tóxico e demoníaco. No Monte dos Vendavais ou na Herdade dos Tordos, o amor assume-se como egocêntrico, tóxico e maquiavélico, espelho dos intervenientes que o vivem. Com descrições poéticas poderosas, Emily Brontë foi exímia na construção de uma narrativa dramática e tragicamente bela.

 

Heathcliff e Catherine Earnshaw, com uma personalidade mesquinha, tempestuosa e, muitas vezes, demoníaca, acabam por afetar a vida de todos os que os rodeiam, tornando-a um pequeno inferno. Heathcliff, adotado em criança pelo patriarca da família Earnshaw, o senhor do Monte dos Vendavais, é frequentemente ostracizado por Hindley, o filho legítimo, e levado a acreditar que Catherine, a irmã dele, não corresponde à intensidade dos seus sentimentos. Não suportando a humilhação e o tratamento desumano a que é, muitas vezes, submetido, acaba por abandonar o Monte dos Vendavais. A sua ausência fermentou a sede de vingança que tinha e, anos mais tarde, quando regressa, mostra-se disposto a tudo para conseguir o que quer.